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Fevereiro de 70. Nossa Escola recebia jovens de todos os rincões
da Pátria. Uma plêiade de rapazes, sedentos de cultura, ideal, e dotados do mais
precioso: "asas para voar". Surgia gloriosa a turma que, por semelhança, adotaria
o lema "SETENTA A PUA".
EPCAR - Uma cidade-escola sediada na cidade das rosas: um celeiro
de idéias novas, um mundo palpitante que se nos abriu à mente.
Neste solo, nossa casa, cheia de encantos, um vibrar de vozes
confiantes em suas mais altas aspirações, se fez sentir pela ferrenha vontade
de vencer.
Voar... este era o sonho do aluno.
Aqui, muitas vezes ao toque do silêncio, quantos anelos dos
mais utópicos nos vinham ao pensamento?
O aluno vivia...
A cada minuto vivido imaginava:
"- Mais perto estou do meu pássaro". A vida porém, não parava ai. E, de repente,
um estalido em sua cabeça; o futuro piloto percebia que sua missão era outra.
Voltava-se para dentro de si e ia de encontro à barreira de indagações. Perguntava
a si mesmo: "O que pretendo? Que serei?" - Respostas mil lhe passavam no consciente,
junto de um mundo maravilhoso, inexaurível, que se lhe abria. Vacilava às vezes...
Isto era natural. Novos rumos seguia...
... E os que ficavam, seriam todos aviadores? Seria eu aviador?
Jamais saberia, principalmente àquelas horas. Muitas vezes pensei: "Três anos
de lutas, alegrias, tristezas, emoções".
Aqui chegamos de espírito alerta. E agora, já no crepúsculo
de nosso curso na EPC dos sonhos, das vitórias, dos amores, das dores, do "NON
MULTA SED MULTUM", eu me volto à realidade e vibro...
E vibrei, justamente porque aqui me foram lançados os alicerces
para a vida. Percebi que tudo ficaria guardado num cantinho nosso. Só nosso.
Chegada a hora da partida: por ti, por nós, eu gritei: - Obrigado
e Adeus...
70, nossa turma. Que brilhante Turma! Que grata recordação
da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, da centenária Barbacena, que, por seu
frio, nos fizera perceber o calor daquele ADEUS e da IZABELINHA, a inesquecível
dos "passarinhos azuis".
Chegado o FIM. Com os olhos cheios de lágrimas e uma eterna
saudade eu parei, parei e folheei a NOSSA SENTA A PUA.
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